|
O RISO DO
PRESIDENTE
A pedido de um torcedor
colorado
Uma homenagem ao
presidente Fernando Carvalho
Por meu pai: Vilmar Campanher Rodrigues
Senhor presidente, teu riso
Impossível de deter
E em ti eu pude ver,
Solto e pulando aos gritos
Um momento, um infinito,
A alegria mais completa
Que não podia ser discreta
Mesmo não estando solito.
Tu pulaste qual menino,
Quando se ganha um presente
Mas você é o presidente
E o protocolo um embuste,
E no meio daquele truste
Foste torcedor comum
De nosso povo mais um
Mesmo sendo o mais ilustre.
Não creio que protocolo
Pudesse castrar teu riso
Mesmo que fosse preciso
Controlar por um momento,
Se não dá pra prender o vento
Tampouco pode um califa,
Qual presidente da fifa
Segurar teu contentamento.
E lá em casa a festa foi grande
Foi feito um baita gritedo,
E ninguém tava com medo
De mostrar sua alegria,
Pois só colorado havia
Mas contigo era o contrario,
Pois até o adversário
Ao teu costado a gente via.
Mas como ficar calado
Com aquele gol, presidente,
Foi como se de repente
Tivéssemos ganho asas,
Saído de águas rasas,
Viajado a cosmografia,
A gente assim se sentia
Embora dentro de casa.
Mas tu da alta tribuna
Vendo a peleia de frente,
E lá embaixo teus valentes
E o triunfo que se expande,
Ninguém há que assim te mande,
Te ordene ficar calado,
E o teu riso sufocado,
Pra soltar só no Rio Grande.
E ademais a carga maior
Estava sobre teus ombros,
A vitória ou os escombros,
Sutil divisa água ou lodo,
Se eu, comum, quase que explodo,
Imagino tua apreensão,
Nós só parte da nação,
E você o pai de todos.
Por isso é que até hoje
Quando relembro as imagens,
Me ultrapassa as cartilagens
Um frio que me gela a espinha,
É o mesmo vento que vinha,
Minuano fazendo festa,
Nessa alegria imodesta
Que só teu riso continha.
Teu riso senhor presidente,
E não me importo que saibas
Embora talvez não caiba
Na idéia d´algum calouro,
Pois veja, eu índio touro,
Na tua alegria magna,
Tentei esporear as lágrimas,
Mas me traí pelo choro.
Mas o coração hoje, presidente,
Está rindo até enquanto dorme,
E a face está assim, disforme,
E dá umas câimbras no queixo,
E eu acho até que é um desleixo,
Ou mesmo seja um mistério,
Eu tento me manter sério,
Mas o coração diz: "eu não deixo".
E o gosto do dever cumprido,
Eu bem sei que não tem preço,
Eu então te ofereço,
Estes versos milongueiros,
E ao costares no travesseiro,
Hás de ver claro e latente,
Que teu povo está contente,
Como tu foste primeiro. |